A BESTA DO APOCALIPSE

Por: Antonio Augusto Alves Mateus Filho
Professor

Mais uma vez, o mundo se agita, as pessoas se apavoram, o fim parece estar à nossa porta... Mais uma vez, vêem-se ameaçados o processo de civilização, a sobrevivência da espécie e a vida no planeta... Mais uma vez, a ameaça da guerra, motivada pela visão egocêntrica de mundo que uns poucos, poderosos, têm...

Tal visão, presente em todos os atos extremos, desde os mais simples - como no da filha que mata os pais por ter sua vontade contrariada - aos mais complexos - como um grupo de jovens, por brincadeira, atear fogo a um inocente índio que dormia no banco da praça por pensar que se tratava de um mendigo ou como atacar um país inteiro unicamente por este não ceder a seus interesses econômicos -, preocupa-nos sobremaneira, porque traz consigo uma triste e perigosíssima inversão de valores! Sem valores consensuais mina-se qualquer relação democrática!

A agressão covarde contra o Afeganistão e a ameaça de guerra contra o Iraque mostra-nos uma quebra abrupta dos princípios que deveriam reger as relações respeitosas entre os povos. Alguns desses princípios são: o direito à vida - o maior deles! -, o direito à auto-determinação dos povos, o respeito às diferenças entre um povo e outro, a obediência às leis internacionais e a igualdade de direitos para todas as nações.

No entanto, não é isto que estamos vendo: certos países (EUA, França, Rússia) podem ter e fabricar armas de destruição em massa, mas outros (Iraque, Coréia do Norte) não podem; certos países (EUA, França, China, Inglaterra e Rússia) têm assento permanente e direito a veto no Conselho de Segurança da ONU, mas outros (Iraque, Brasil, Sudão) nem voz têm; certos países (Israel, EUA, Rússia) podem atacar desafetos ao terem interesses contrariados, mas outros (Palestina, Chechênia, Afeganistão) quando atacam são condenados como terroristas. Onde a igualdade de direitos? Onde as "nações unidas"? Está claro que o que vale é a lei do mais forte, seja pelo poder econômico, seja pelo poderio militar! E não a Justiça!

A inversão de valores é tal que os EUA, capitaneado por George Bush (aquele que se diz democrata, mas cuja eleição foi suspeita), diz que atacará o Iraque, mesmo que a ONU não autorize! E olhe que a ONU aceitou a pressão americana para enviar inspetores ao Iraque, para verificar se há fábricas de armamentos em atividades lá! Os EUA podem fabricar armas, o Iraque não. Mas o pior é que os EUA só não atacarão o Iraque se ficar provado que esse país não está se armando, ou seja, o ônus da prova cabe ao acusado, não ao acusador! Fere-se, pois, mais um princípio básico do Direito! (Lembram do Afeganistão? Mesmo sem provas contundentes, arrasaram o país. Hoje, já há quem afirme, com base em fotos, que o 11 de setembro foi fabricado!) Aliás, outro princípio foi criado pelo Sr. Bush (o presidente americano psicopata, comparável somente a Hitler): o da "guerra preventiva", ou seja, se eu (vidente) adivinho que o outro vai me atacar, eu ataco antes!

Triste mesmo é ver a ONU fazer apenas jogo de cena, enquanto os países grandes mandam e desmandam, e os pequenos ou se submetem, ou são agredidos! Creio que cabe perguntar: para que existe a ONU?

A verdade é que o que move o Império Americano são seus mesquinhos interesses: precisam de petróleo (que o Iraque tem), porque gastam bem mais do que produzem e seu petróleo está acabando, e necessitam reaquecer sua economia, porque a situação está crítica e têm de atender às exigências dos grandes fabricantes de armas fornecedores do governo, que apoiaram Bush em sua campanha. E, para atender a seu mundinho, não hesitam em agredir povos inteiros, com ataques de "precisão cirúrgica" que destroem hospitais e matam milhares de inocentes! E mais: depoem governantes para colocar seus "aliados" no poder! E ainda: levam prisioneiros de guerra para fora de seus países de origem, e os agridem inclusive psicologicamente, obrigando-os a rejeitarem seus costumes! Onde o respeito às diferenças culturais e religiosas dos povos? E pior: revestem suas balas e bombas com urânio empobrecido, que são altamente radioativas, cujas seqüelas aparecem durante anos e anos. (Só para ter uma idéia: em conseqüência da Guerra do Golfo, já morreram no Iraque cerca de 500 mil crianças, vítimas de câncer, gerado por essas armas, com a agravante de que, no caso do Iraque, não há como tratar dessas crianças graças ao embargo econômico imposto pela ONU! Não é à toa que os EUA não aceitam o Tribunal Internacional!) Onde o respeito à vida?

E não pensem que a ambição cega dos americanos tem limites: primeiro foi o Afeganistão; agora, será o Iraque; depois... Estão na lista negra do caubói Bush (cada época tem a besta do Apocalipse que merece!): Coréia do Norte, Caxemira, Palestina, Iêmen, Somália, Sudão, Paraguai, Colômbia e outros mais.

Nossa esperança concreta é que todo império que existiu no mundo (Egito, Roma, etc.) um dia caiu. Certamente, o novo império um dia cairá! Mas não cairá se ficarmos de braços cruzados! É preciso lutar, não com as mesmas armas dos que defendem o egoísmo, a violência, a guerra, mas com a palavra, "soltando a voz nas estradas", exigindo que a vida, a liberdade e a justiça sejam respeitadas como princípios básicos da raça humana!

Só os povos oprimidos, juntos, poderão deter a escalada americana! Quando estes povos perceberem o poder que têm nas mãos, ao se unirem, é que a situação mundial será de fato reequilibrada! Afinal, só para dar um exemplo, só os povos árabes detêm a maior parte das reservas mundiais de petróleo!

Esquecem-se os poderosos que a Terra é dádiva do Criador e ela não foi dada a determinados homens, mas ao Homem, ou seja, à raça humana, e tudo foi destinado a todos, e não vendido a poucos privilegiados! Uma Humanidade sem princípios caminhará - como está caminhando - inexoravelmente para a extinção! E, então, de nada adiantarão o dinheiro, a força, o poder! Está em nossas mãos salvar a vida! É preciso dizer não à guerra com veemência! Manifeste-se!