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Movimento pacifista no Japão boicota produtos americanos e questiona os EUA
Tóquio, 26 (AP) - Jun Miyakawa, morador de Tóquio, parou de ir ao McDonald's
e não mais compra fraldas descartáveis Pampers para seu bebê.
Apesar de seu governo ter sido um dos primeiros a apoiar a invasão liderada
pelos EUA ao Iraque, Miyakawa, um trabalhador do setor privado, faz parte
do cada vez mais aberto movimento contra a guerra.
A campanha "Opção pela Paz", que ele ajudou a organizar, está exortando os
consumidores a boicotar produtos americanos, dos hambúrgueres do MacDonald's
aos carros da Ford.
"Eu e minha família queremos continuar a viver neste planeta, e quero que
esta guerra pare", disse ele. "É inacreditável que neste dia e nesta era uma
nação invada outra nação".
O esforço de Miyakawa recebeu o apoio de seis grupos da sociedade civil.
Ativistas estão trabalhando intensamente distribuindo panfletos em protestos
e pedindo às pessoas que participem do boicote.
Apesar de a campanha ainda não ter tido um efeito maior no consumo de produtos
americanos, ela simboliza um crescente sentimento público no Japão de questionamento
sobre os Estados Unidos - a maior influência cultural e no estilo de vida neste
país no último meio século, e o mais importante aliado de Tóquio.
O primeiro-ministro Junichiro Koizumi argumenta que sua decisão de apoiar
a guerra foi fundamental para a aliança EUA-Japão, o pilar da diplomacia
pós-guerra entre os dois países. Mas a posição de Koizumi tem sido criticada
pela oposição e pelos eleitores, ameaçando seu já frágil controle do poder.
Como o único país do mundo a ter sofrido um ataque nuclear, por parte dos EUA,
o Japão tem um forte movimento pacifista que influencia a opinião pública e
os círculos artísticos e intelectuais.
"O sentimento antiguerra está profundamente arraigado", explicou Takashi Inoguchi,
do Instituto da Cultura Oriental na Universidade de Tóquio. "E ninguém fora do
Japão percebeu realmente que Tóquio manifestou apoio à guerra".
Celebridades japonesas, como Yoko Ono, o compositor Ryuichi Sakamoto, do
"Último Imperador", atores e roqueiros têm se posicionado contra a guerra.
O sentimento antiguerra domina os programas de entrevista na tevê japonesa,
e pesquisas de opinião revelam que 70% da população é contrária à guerra.
O conflito tem feito as pessoas saírem às ruas em protestos de proporções
não vistas em anos. Organizadores estimaram que 50.000 pessoas participaram
de uma passeata em Tóquio na semana passada. Outra grande manifestação está
marcada para 5 de abril.
"Tiros em Columbine", o documentário de Michael Moore vencedor do Oscar que
critica a cultura das armas nos Estados Unidos, tem sido um surpreendente sucesso
no Japão, atraindo mais de 100.000 pessoas em dois meses.
Comparado com antigos líderes americanos, o presidente George W. Bush não
tem sido popular neste país de 127 milhões de habitantes.
Um livro sobre "Bushismos" satiriza a forma como Bush pronunciou o nome de
estados japoneses e sua referência aos 150 anos de amizade americano-japonesa,
quando ele não fez menção à Segunda Guerra Mundial. O livro vendeu 100.000 cópias
desde que foi lançado em janeiro.
"É uma forma de expressar a frustração que os japoneses sentem em relação aos EUA",
disse Kosuke Maruo, da editora Penguin Shobo, que lançou o livro. "Espero que as
pessoas percebam que não existe necessidade de seguir tal presidente".
Parodiando o discurso de Bush em que ele rotulou o Iraque, Irã e Coréia do Norte
como um "eixo do mal", uma popular revista colocou Bush, o líder norte-coreano
Kim Jong Il e o presidente iraquiano Saddam Hussein num "eixo de idiotas".
Fonte: Último Segundo/AP
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