Sindicato dos Jornalistas do Rio divulga manifesto contra a guerra

O Sindicato dos Jornalistas do Rio de Janeiro, e outras instituições - Ação da Cidadania, Viva Rio (Rubem César Fernandes), Humanos Direitos, FASE, Solidariedade e Educação, e ONG Davida - divulgaram hoje, um manifesto de repúdio à guerra dos Estados Unidos contra o Iraque.

Confira a íntegra da nota:

MANIFESTO CONTRA A GUERRA

Quais os verdadeiros propósitos da empreitada militar do Sr. George W. Bush no Iraque? Não queremos saber das suas justificativas unilaterais para, em seguida, tentar desmascará-las. São todos motivos descarados. A guerra é injustificável!

Como prosseguir passivos diante das cenas que vemos serem pintadas a fogo na tela da televisão? E o que podemos fazer, além de orar, ou de chorar? Essas são as perguntas que nós, cidadãos cariocas, estamos fazendo uns aos outros, ao assistirmos, paralisados, ao bombardeio de Bagdá. Uma grande perplexidade apossou-se das ruas, bares, escritórios, templos, e do ambiente das famílias.

Queremos libertar nossos corações desta perplexidade. Queremos dizer NÃO!, expressar nossa injúria diante da escalada terrorista onde figuram como etapas progressivas os atentados a Nova York, a Jerusalém, aos acampamentos palestinos, e a Bagdá. Atentados aos quais se somam aquelas outras investidas contra a condição humana, mais paulatinas e permanentes, que são perpetradas contra os povos africanos, asiáticos e latino-americanos. Investidas às quais vêm juntar-se os ataques que sofremos em escala urbana e doméstica que só não se constituem atos de guerrilha por intervenção do pudor retórico.

Queremos nos solidarizar nessa impotência que nos foi imposta. Queremos nos sentir soberanos de nossa condição humana. E queremos fazer alguma coisa, não importa o quê, para manifestar nossa confiança na paz, na ética, no amor, na vida e na igualdade de direitos.

Mais duas perguntas são pertinentes:

Que papel caberia aos Estados Unidos na condução de uma política de portas arrombadas? E que posição a sociedade brasileira tomará diante desta diplomacia em ruínas que se pode antever depois do solene desprezo americano pela instância mediadora da ONU?

As respostas precisam ter a pressa de um míssil americano, cujo poder de destruição abriu uma grave jurisprudência no direito internacional.

No mundo, grita-se por paz nas ruas, denuncia-se o caos, o desrespeito, e mesmo governos, como o brasileiro, manifestam-se e posicionam-se contra essa terrível situação. Acreditamos que tudo isso deve ser considerado para mantermos acesas a esperança no diálogo e a reação ao imperialismo do terror que se amplia, podendo confundir-se com a globalização, e bater à nossa porta. A questão é como deter o avanço desse rali tenebroso que coloca em risco os valores da Humanidade.

Fonte: JB Online Ver matéria original