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Prêmio Nobel pede a Annan julgamento para responsáveis por guerra
O Prêmio Nobel da Paz Adolfo Pérez Esquivel pediu ao secretário-geral
da Organização das Nações Unidas (ONU), Kofi Annan, que o organismo
julgue os responsáveis pelo ataque ao Iraque como "criminosos" de
lesa-humanidade.
Numa carta enviada a Annan em 22 de março e divulgada hoje, quinta-feira,
o ativista argentino dos direitos humanos criticou a "indiferença" do
organismo internacional diante "da guerra anunciada e desejada" pelo
presidente dos Estados Unidos, George W. Bush.
"A ONU não está exigindo a retirada imediata dos invasores nem enviando
ajuda humanitária aos iraquianos", lamentou Pérez Esquivel, ganhador
do Prêmio Nobel em 1980 por sua defesa dos direitos humanos durante
o regime militar argentino (1976-1983).
O ativista exigiu ações para enfrentar o "totalitarismo" que, segundo
ele, os Estados Unidos representam.
Depois de denunciar que os bombardeios no Iraque estão deixando "milhares
de mortos e feridos, principalmente entre a população civil", considerou
que a guerra está levando toda a humanidade a "um ponto de inflexão".
"Sr. Secretário-Geral, é necessário para o bem da humanidade e das
Nações Unidas, por sua responsabilidade e credibilidade, hoje seriamente
prejudicadas, que os responsáveis pela invasão do Iraque sejam julgados
como criminosos e que se apliquem as sanções correspondentes, como esse
alto organismo, que o senhor preside, já fez em outras situações", afirmou.
"Os países invasores são responsáveis por crimes de lesa-humanidade",
acrescentou.
Pérez Esquivel pediu a Annan que convoque a Assembléia Geral da ONU a fim
de "atuar frente à grave situação que está custando milhares de vidas" e
"pedir um cessar-fogo imediato e a retirada das forças invasoras".
Além disso, disse, deve-se enviar ajuda humanitária e "aplicar sanções
aos responsáveis por invadir e massacrar o povo do Iraque".
"Os Estados Unidos não podem se atribuir o direito de vida ou morte sobre
os povos. Transformaram-se em um Estado totalitário que procura impor
pela força sua vontade ao resto do mundo, violando todos os princípios
do direito e respeito às pessoas e aos povos", concluiu.
Fonte: Agência EFE/Ultimo Segundo
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